Há homens que caminham pela história como aqueles robustos carvalhos que resistem ao inverno, suportam tempestades, inclinam-se ao vento, mas não quebram. São homens cuja fidelidade se converte em destino e cuja coragem se transmuta em serviço. Assim me aparece o Padre Paulo Ricardo, figura de sacerdote que, sem o desejar, revela que a santidade também tem o seu timbre de aço.
Primeiro, aprendi com ele que existe um modo de ser incancelável,
— sim, incancelável — mesmo quando todos os ventos se conjugam para te arrancar pela raiz. Ele ensinou, não por discursos, mas por vida, que o homem que se planta em Deus não se deixa apagar. Podem tentar silenciá-lo, podem ameaçá-lo, podem deformar-lhe o nome: mas a verdade, quando encontra um coração firme, torna-se resistente como a própria eternidade.
Depois, aprendi que dizer a verdade comporta um martírio social e, por vezes, até eclesial. E por que não dizê-lo? Há momentos em que a fidelidade dói mais que a incompreensão dos de fora. O que ele me ensinou é que a verdade, quando é dita por amor, sangra — mas salva. E a graça, sempre surpreendente, brota por caminhos inesperados: floresce nas ruínas, renova forças onde parecia haver apenas cinzas, abre horizontes onde antes só havia muros.
Por fim, aprendi que estar unido à Igreja custa, muitas vezes, o sacrifício do próprio presente e futuro. O preço da comunhão é alto: às vezes exige renunciar a portas humanas, projetos brilhantes, caminhos promissores. Mas é precisamente aí que Deus, com aquela discrição soberana que só a Providência possui, transforma renúncia em fecundidade, perda em missão, silêncio em apostolado.
E assim compreendi, pela vida do Padre Paulo Ricardo, que o Senhor costuma multiplicar apenas aquilo que foi entregue. Que nada é estéril nas mãos de Deus. Que o sofrimento vivido em comunhão com a Igreja se converte, misteriosamente, em árvore frondosa, capaz de dar sombra e frutos para muitos.
Porque alguns sacerdotes ensinam pela palavra; outros, pelo exemplo; e alguns poucos — muito poucos — ensinam pela própria fidelidade, que permanece de pé quando tudo ao redor desaba. E é nessa fidelidade, tão divina e tão humana, que encontrei as três maiores lições que recebi do Padre Paulo Ricardo.
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